A pesca é um processo de aprendizado para a vida das
pessoas. O ato aparentemente simples, de retirar o peixe da água traz um
contexto de reflexão, escolhas e decisão bastante complexo. No livro Filosofia da Ciência, em seu
capítulo 6 (Pescadores e Anzóis), Rubem Alves faz um alerta para a
necessidade de se desmistificar o cientista, e para isso utiliza o processo de
pesca como modelo didático, na busca do conhecimento e do desenvolvimento da
ciência. O autor faz uma analogia entre o pescador e o cientista, as redes e as
teorias, os peixes e os objetos de estudo, os anzóis e os métodos de pesquisa e
investigação. Karl Popper em sua Teorias das redes afirma que somente aqueles que as
lançam serão capazes de pescar alguma coisa", também utiliza uma relação semelhante.
Considerando o processo lógico ou ”filosófico”, para escolha
de um modelo científico ou de uma técnica de pesca esportiva específica, se
deve obter um resultado muito semelhante. O objetivo do pescador ou o problema
do cientista é o peixe. E para obter uma solução, necessita testar uma variedade de
iscas (hipóteses), de formatos, cores, pesos e profundidade de flutuação. Além
disso, dar lógica aos mistérios do rio, as experiências anteriores, a
resistência da linha, ao tipo de peixe da região, a temperatura da água e a hora
do dia. As variáveis são muitas, logo
saber entender os mistérios da pesca é uma ciência.
Chega! Vou pescar!

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